
Enxergo-te ao longe, deslumbrante, na tua naturalidade, sinto medo da proximidade, apesar de estar a ir ao teu encontro. É mais forte que eu, algo me prende a ti, tal como os meus olhos te seguem qualquer movimento. Presto atenção a cada pormenor, parece que cada palavra tua é um cantar que ecoa na minha cabeça, já sinto o teu cheiro e consigo sentir a ansiedade que se propaga em vibrações no meu corpo. Não sei bem o que fazer, não há palavras outrora aprendidas que sirvam neste momento, sinto-me minúsculo na tua graciosidade, debito conjuntos de letras que talvez te agradem e te seduzam. Mas que suar, que insegurança amedrontada pelo desconhecido, e por isso tento parecer bem. Evitando as palavras que em certas alturas escasseiam, procuro o sentido da tua pele, procuro a tua mão, procuro o conforto e a segurança. Confio nos meus olhos para te contarem cada pormenor do passado. Como se de nevoeiro se tratasse, a luz escasseia, e eu sinto que já não estás do meu lado. Desespero, a realidade da ilusão é demasiado fustigada pela minha mente, que já nem apresenta sinais de consciência do amor presente, e agora, retorcida, tenta expulsar toda a mágoa como se fosse jorrar um mar de lamúrias que se espalham e desvanecem como lembranças. A ilusão deslumbra-me e eu choro a realidade.
